Quanto o dono pode retirar do negócio sem quebrar o caixa
Quem trabalha no próprio negócio costuma tratar o caixa como carteira: precisou, tirou. O problema aparece quando chega a conta do fornecedor e o dinheiro que pagaria ela já virou compra do mercado. Definir uma retirada fixa resolve isso, e a conta é mais simples do que parece.
O que sobra não é o seu salário
O erro mais comum do microempreendedor é achar que o salário dele é o que sobra no fim do mês. Isso inverte a ordem das coisas: seu trabalho é um custo do negócio, como aluguel e energia. Se o negócio não paga o seu trabalho, ele não é lucrativo, ele só parece.
Quando a retirada é o resto, ela varia todo mês e sempre come a reserva. Quando ela é um valor definido, o negócio precisa se organizar para pagá-la, e você descobre rápido se o preço está errado.
A conta da retirada, em quatro linhas
Use um mês normal como base, nem o melhor nem o pior. A conta é esta:
| Linha | Exemplo |
|---|---|
| Entrou no mês (recebido de verdade) | R$ 12.000 |
| Menos os custos do que foi vendido (produto, material) | R$ 3.600 |
| Menos as despesas fixas (aluguel, energia, internet, imposto) | R$ 2.900 |
| Menos a reserva do negócio (10% a 15%) | R$ 1.400 |
| Sobra disponível para retirada | R$ 4.100 |
Essa sobra é o teto, não a meta. Defina a retirada fixa um pouco abaixo dela, algo como R$ 3.500 no exemplo, e deixe a diferença no caixa. O mês em que o movimento cair vai agradecer.
Um detalhe que muda o resultado: use o que você recebeu, não o que você vendeu. Venda parcelada e fiado ainda não são dinheiro, e retirada só sai de dinheiro que entrou.
A reserva que não é luxo
Guardar de 10% a 15% do que entra cobre três coisas que sempre acontecem: o mês fraco (janeiro, feriado prolongado, chuva de uma semana), o equipamento que quebra e o imposto ou taxa que vence em cota única.
Uma meta razoável é chegar ao equivalente a um mês de despesas fixas guardado. Depois disso, a reserva pode virar investimento no próprio negócio, como uma cadeira nova, uma vitrine ou mais estoque do que gira.
A parte fiscal, para quem é MEI
O MEI não é obrigado a definir pró-labore, e a retirada de lucro pode ser isenta de imposto de renda até um limite. Esse limite é um percentual da receita bruta, que segue as regras do Lucro Presumido: em linhas gerais, 8% para comércio e indústria, 16% para transporte de passageiros e 32% para serviços em geral.
O que passar desse limite é tributável como rendimento do trabalho, a não ser que o negócio mantenha escrituração contábil feita por contador, comprovando lucro maior. Como cada atividade tem sua regra e a sua pode se encaixar em mais de uma, confirme o seu caso com um contador antes de fechar o valor da retirada.
Vale lembrar do outro limite: o teto de faturamento do MEI. Estourar o teto muda o enquadramento e a conta do imposto, então acompanhar o faturamento acumulado do ano é parte do mesmo cuidado.
Registre a retirada como saída, sempre
Dinheiro que sai do caixa para o seu bolso é saída do negócio. Se não for registrado, o mês parece mais lucrativo do que foi e a próxima decisão nasce torta.
No ControleCaixa existe a categoria de retirada do dono justamente para isso. Ela sai do resultado do mês sem se confundir com despesa de operação, e o relatório mostra lado a lado o lucro do negócio e o quanto você retirou. É a forma mais rápida de descobrir se está tirando mais do que o negócio aguenta.
Saiba quanto o negócio aguenta te pagar
Registre entradas, saídas e a retirada do dono em categorias separadas. O ControleCaixa mostra o lucro do mês e o quanto você tirou, lado a lado.
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Pode, mas é o caminho mais curto para precisar colocar dinheiro de volta no mês seguinte. Deixe uma reserva de 10% a 15% do que entrou e trate a retirada como valor fixo, ajustado uma ou duas vezes por ano.
Ela sai do caixa como qualquer saída, mas não é despesa de operação: não é custo de produzir nem de vender. Por isso deve ficar em uma categoria própria, senão você perde a noção do lucro real.
Tire menos e registre o que tirou. Se isso acontecer dois ou três meses seguidos, o problema não é a retirada: é preço, volume ou custo fixo alto demais.
Não é obrigatório. Na prática, o que o MEI retira é lucro, isento até o limite do percentual da atividade sobre a receita bruta. Acima disso, o excedente é tributável, salvo com escrituração contábil. Confirme com seu contador.